Ontem (11), o Tribunal
da cidade suíça de Zug publicou seu processo contra os cartolas
brasileiros João Havelange e Ricardo Teixeira, o primeiro mandatário
quase que eterno na FIFA, o segundo praticamente eternizada na CBF.
O relatório aponta que,
em oito anos, nada menos que R$ 45 milhões em subornos passaram por suas
contas. Outro desprazer que aponta o relatório é que para os velhinhos
honestos da FIFA, pagamentos de subornos pertencem ao salário recorrente
da maioria da população sul-americana e brasileira em especial. Ou
seja, somos todos corruptos!
Semana passada um casal
de catadores de lixo encontrou uma sacola com dinheiro fruto de um
assalto no Rio de Janeiro e sem pestanejar procurou a polícia para
entregar o achado, intacto. Certamente os “velhinhos da FIFA” não
tiveram acesso a essa informação.
Um estudo da Fiesp
divulgado em 2012 apontou que o custo anual da corrupção no Brasil gira
em torno de 41,5 e 69,1 bilhões de reais. Isso, ainda segundo o estudo,
representaria entre 1,38% a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB). O
dinheiro, se investido em educação, por exemplo, poderia ampliar de 34,5
milhões para 51 milhões o número de estudantes matriculados na rede
pública do ensino fundamental, além de melhorar as condições de vida do
brasileiro.
O Brasil é um país de
corruptos! Isso se evidencia a cada quatro anos, quando são realizadas
as eleições para escolha de nossos mandatários políticos. Somos
corruptos quando trocamos nosso sagrado direito de escolha por um saco
de cimento, uma passagem, uma receita de medicamentos… quando votamos em
quem sabemos que não nos representará a contento e fazemos disso apenas
mais um negócio. Isso é corrupção ativa e não adiantará no futuro dizer
que o político A, B ou C ( que você colocou no cargo após ter recebido
um mimo) é ladrão, corrupto, safado.
Ladrão, corrupto e safado somos nós, os eleitores. Todavia, acima de tudo, somos demagogos!
Votamos em quem nos
comprou e depois, revestidos da auréola da pureza política, cobramos
dele transparência, cobramos que ele produza leis que combata a
impunidade e diminua a corrupção. Que utopia!
Bolsa isso, bolsa
aquilo, casa própria… Programas assistencialistas do governo que têm
deixado nossa população cada fez mais preguiçosa e corrupta. A
propaganda eleitoral mais contundente de quem está no poder é alegar
que, se o adversário for eleito, esse dinheirinho que tanto tem ajudado
as famílias mais pobres do Brasil será imediatamente cortado, fato que
faz o eleitor esquecer que não tem saúde e educação de qualidade, e,
portanto, volte a votar em quem está sistematicamente comprando seu
voto.
Já que citei a utopia,
que tal pedir aos nossos representantes que instituam o voto censitário,
aquele que restringiu, no século XVIII, que eleitores de baixa renda
tivessem direito de escolher nossos representantes? Será que isso
alteraria o atual quadro político brasileiro?