Em Canaã dos
Carajás, sim, está havendo grande muvuca de oportunidades desencadeadas
pela mineração. Temporários ou não, o número de empregos na “Terra
Prometida” está fazendo se repetir para lá a mesma novela de migração a
que Parauapebas assistiu num passado não muito distante e que lhe deixou
como sequelas vários problemas socioespaciais e infraestruturais.
Com 33 mil habitantes, Canaã é, hoje, o 29º município que mais contrata no país. O saldo positivo, entre contratações e demissões, foi de 3.778 novas oportunidades de janeiro a junho deste ano. É um número superior ao de capitais gigantes, como Fortaleza (CE), que possui quase 2,6 milhões de habitantes, é a quinta maior cidade do país, mas deu novas oportunidades a somente 2.673 pessoas.
No Pará,
Canaã só não gera mais empregos que Altamira, que, por conta dos
trabalhos temporários na Usina Hidrelétrica de Belo Monte, conseguiu
bater todos os recordes antes pertencentes a Parauapebas. No semestre
que passou, por exemplo, a “Princesinha do Xingu” teve saldo de 7.150
vagas de trabalho e ficou em sétimo lugar nacional entre os maiores
empregadores do Brasil, superada apenas pelas metrópoles São Paulo (SP),
Brasília (DF), Curitiba (PR), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS) e Rio de
Janeiro (RJ). Nenhum lugar do Pará havia conseguido tanto.
No caso de Canaã, não é necessariamente a extração de cobre que gera novas oportunidades. É o minério de ferro, uma commodity onipresente que, via projeto S11D, tem levado a cidade a assumir a posição de zona de prosperidade e trabalho antes condicionada a Parauapebas, que agora amarga números negativos.
Quando o S11D chegar ao pico das obras, o número de empregos deverá triplicar. Hoje, a “Terra Prometida” tem 15.849 trabalhadores com carteira assinada, praticamente metade de sua população. Nenhum lugar da Amazônia, que tem 792 municípios, tem proporção de trabalhadores tão elevada assim, nem mesmo a emergente Altamira. É sabido, entretanto, que quando cessar a etapa de implantação do S11D e do Ramal Ferroviário Sudeste do Pará (RFSP), outra importante obra responsável pelos empregos diretos, Canaã ficará com uma grande aglomeração de trabalhadores “rodados” ou de cara para cima. Aí será a hora de o “muso” do cobre, futuro galã do minério de ferro, reiventar-se econômica, social e moralmente. Que esteja consciente e preparado até lá.
Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar
Foto: Arquivo
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