A Copa do Mundo está nos trazendo
diversas lições sobre como funcionam as coisas no Brasil. Dentre elas
está uma cuja compreensão é de suma importância para o futuro do país:
aos olhos dos nossos governantes e em nosso próprio país, nós
brasileiros somos cidadãos de segunda classe.
Tal conclusão decorre do fato de que nunca antes na história do Brasil se
viu tanto policiamento quanto se vê ocorre agora nas maiores cidades
brasileiras. Aparentemente foi necessário que alguns milhares de
estrangeiros dessem as caras em nossas cidades para que a segurança
pública fosse tratada seriamente.
Nossos quase 60 mil homicídios ao ano,
incontáveis roubos, estupros e sequestros-relâmpagos não sensibilizam
nossa Presidente e nossos governadores, pelo visto. Mas aparentemente
nossos governanetes querem evitar ao máximo qualquer possibilidade de
algum cidadão estrangeiro vir a ser mais uma vítima da criminalidade
brasileira. Imagina a vergonha internacional se um grupo de turistas
americanos é sequestrado? Uma alemã estuprada? Uma família coreana
roubada e o pai da família assassinado??! Não podemos correr tais
riscos!
Mas como o cobertor é curto, o aumento de
efeitvo policial que garante a segurança dos gringos (1ª Classe) e,
meramente por tabela, dos brasileiros moradores das cidades sedes (2ª
Classe) se dá às custas do deslocamento de boa parte do efetivo das
cidades do interior, deixando seus moradores à mercê da criminalidade.
Ou seja, dentro desse sistema de divisão de classes temos um grupo ainda
mais abaixo de nós, moradores das capitais. Aqueles que habitam as
cidades do interior fazem parte, pelo visto, de uma classe ainda mais
baixa de cidadãos, cuja segurança realmente não vale nada.
A Copa termina em 3 semanas. Que
aproveitemos nossa segurança temporária para refletirmos sobre por que
raios o Estado no Brasil se envolve com tantas atribuições (governo
federal, p.ex., tem 39 ministérios e participa ativamente da gestão de
centenas de empresas nas mais variadas áreas) e não consegue priorizar a
atuação em sua função FUNDAMENTAL, que é a segurança pública.
Daqui 3 meses e meio, teremos uma
oportunidade única de demonstrar nosso descontentamento com esse
tratamento desrespeitoso e indigno. Para alguns milhares de brasileiros
será, infelizmente, a última oportunidade antes de se tornarem parte da
estatística.
Por Fabio Ostermann, publicado no Instituto Liberal
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