Boa parte da
imprensa mostrou os vândalos criminosos dos black blocs por uma lente,
digamos, benigna. Até a morte de um cinegrafista. Agora vemos um tom
diferente, editoriais alertando que é hora de decidir de qual lado se
está, artigos reconhecendo a negligência, imagens mais realistas dos
baderneiros.
Pois bem: alegria de direitista nesse
país dura pouco. É que a hegemonia é de esquerda mesmo, não tem jeito.
Ontem os arruaceiros do MST, uma espécie de “red blocs”, resolveram
invadir Brasília, e entraram em confronto com a polícia. Mais de 20
policiais ficaram feridos nas agressões dos invasores. Pergunto: qual
imagem mereceu destaque nos jornais de hoje?
Essa, tirada por Pedro Ladeira, da Folhapress?
Sonho meu. Me engana que eu gosto. Não,
não foi esta a imagem que acabou estampada nos principais jornais. No
caso do GLOBO aqui no Rio, foi essa a imagem usada para ilustrar o
ocorrido:
E no caso do Estadão (até tu, Brutus?), foi essa a imagem destacada:
Vejam só que coisa espantosa! Dizem que
uma imagem vale por mil palavras. Se for isso mesmo, então ferrou. Os
leitores do GLOBO vão pensar que um corajoso sem-terra, desarmado,
encara com os próprios punhos a fúria de um covarde policial, armado com
um enorme porrete.
E os leitores do Estadão vão jurar que um
policial armado com pistola de choque elétrico aponta
desnecessariamente sua arma para um humilde sem-terra, que tenta
dialogar pacificamente com as autoridades. Não é fofo?
Não! Definitivamente não é nada fofo. É
ultrajante, pois esconde os fatos, oculta do leitor o essencial, a
arruaça violenta dos invasores, a intimidação, a agressão gratuita aos
policiais que ali estavam para manter a ordem e proteger, inclusive, os
políticos e funcionários públicos.
Não aprenderam nada com os black blocs? Vão insistir no mesmo erro?
PS: A foto que eu gostaria de ver na capa
de todos os jornais é esta aqui, de um policial vítima do “diálogo” dos
sem-terra, para ver se cai a ficha dos idiotas úteis:
Rodrigo Constantino
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