Você só sabe que a coisa é real e séria
quando uma autoridade do governo aparece na grande imprensa para
negá-la. Foi assim com o apagão desta semana que jogou na escuridão
milhões de brasileiros. O ministro Edson Lobão (que dificilmente seria
contratado como estagiário por uma empresa privada do setor) veio a
público garantir que não havia riscos de apagão. Horas depois, blecaute
quase total.
As desculpas serão as de sempre: faltou
chuva, houve erro técnico, São Pedro é um ingrato, etc. Mas, na verdade,
o projeto (?) do governo Dilma para o setor elétrico é totalmente
equivocado, para não variar. A pretensão de controlar preços é a marca
registrada desse governo, que ainda não entendeu que isso não funciona.
Em sua coluna
de hoje no GLOBO, Carlos Alberto Sardenberg faz um bom resumo da
situação, mostrando as principais falhas da gestão pública no setor. O
cobertor é curto, em resumo. Foram tantas trapalhadas, que o governo se
vê, agora, de mãos atadas. Diz o colunista:
No setor elétrico, por exemplo, há um erro de fundo: o preço. A tarifa cobrada dos consumidores, residenciais e industriais, reduzida à força no ano passado, resulta mais barata que o custo de produção. Isso cria
um incentivo às avessas: estimula o uso de um serviço caro e que não
está sobrando. E não estimula o investimento para aumentar a oferta,
pois as empresas do setor só não quebraram porque o governo federal
lhes passou mais de R$ 20 bilhões no ano passado — dinheiro do
contribuinte.
Eis, num detalhe, algo que se passa no modelo Dilma como um todo: muito consumo, pouco investimento. Há
duas possibilidades de se manejar o desequilíbrio financeiro do setor
elétrico: ou aumentar a tarifa ao consumidor ou o Tesouro usar dinheiro
dos impostos para cobrir os buracos. Alta da tarifa bate na inflação. Não haveria problema se fosse verdade que a inflação está controlada, não é mesmo?
O Tesouro
pagar a diferença — isso reduz o superávit primário, piora o estado das
contas públicas, sob desconfiança das agências de classificação de
risco. Também não seria problema se as contas públicas estivesses
equilibradas…
Ou seja,
trata-se de um governo populista, que só pensa nas próximas eleições,
que estimula o consumo sem se importar com sua sustentabilidade, e que
acaba afugentando investidores. Não tem como dar certo. Mesmo se São
Pedro fosse brasileiro de coração e petista ainda por cima (creio que
coisas contraditórias).
A falta de
chuva agrava o problema, é verdade. Mas ele é estrutural, e o preço da
energia no mercado “spot” disparou porque a oferta não é capaz de
atender à demanda, mesmo com a economia crescendo a taxas medíocres.
Imagina na Copa…
Rodrigo Constantino
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comentários contendo ofensas pessoais, palavrões, tendo como objetivo perseguições pessoais ou politico partidárias, contra pessoas ou instituições, serão moderados ou excluídos a critério da Equipe.
Agradecemos pela sua participação.
Um grande abraço!!!