O menor de idade que havia sido preso nu a um poste no Flamengo foi flagrado roubando novamente. Na
quarta-feira, ele foi levado à DEAT (Delegacia Especial de Apoio ao
Turista) após ter sido apreendido por policiais militares ao tentar
roubar um turista em Copacabana.
A atitude dos “justiceiros” do Flamengo suscitou muita discussão, e eu mesmo a condenei aqui.
Por outro lado, lamento que somente o excesso e o abuso praticados
pelos “vingadores” tenham recebido tanta atenção, e não a impunidade em
si dos marginais.
Desse tema a esquerda foge como o diabo
foge da cruz ou o vampiro da água benta. Afinal, a vitimização dos
bandidos é uma de suas principais bandeiras. O meliante precisa ser
visto como uma “vítima da sociedade” e a pobreza deve ser vista como a
maior responsável pelo crime, caso contrário seu discurso
sensacionalista não pega.
Até quando? Até quando parte da esquerda
será irresponsável desse jeito? Não percebe que esse clima de impunidade
produz o clima de anomia, que por sua vez acaba produzindo “vingadores”
e “justiceiros”? “Quem poupa o lobo, mata a ovelha”, disse Victor Hugo. Os cidadãos de bem não suportam mais tanta impunidade.
Não obstante, a esquerda acredita que
reduzir a maioridade penal para 16 anos é um erro. Recentemente, o
projeto de lei que propunha isso foi derrubado, com a esquerda votando
em peso contra. Eis a imagem que está circulando nas redes sociais hoje:
Como não concordar? Da aliança nefasta
entre psicólogos e sociólogos resultou essa percepção de que os crimes
estão atrelados somente às questões sociais, e tudo se justifica pela
miséria. Criou-se um ambiente de proteção ao bandido, um culto do
“coitadinho”, que inverte totalmente os fatos, tornando vítima quem é
culpado e culpado quem é vítima. Tentam forçar um sentimento de culpa
naqueles que são pessoas de bem, levam uma vida normal, trabalham e
pagam seus pesados impostos, como se o pivete armado que o aborda no
sinal fosse sua responsabilidade.
É evidente que nosso sistema carcerário
está podre, e precisa de reformas. Está claro também que a miséria não
ajuda no combate ao crime. Precisamos, sim, atacar esses problemas, cujo
impacto se daria no longo prazo apenas. Mas precisamos de medidas
concretas de imediato, já que a situação está praticamente fora de
controle.
Sem falar que as verdadeiras causas da
criminalidade estão na impunidade, na ausência do império da lei, não
nos fatores sociais como querem nos fazer acreditar. O estado, além de
inchado e ineficiente, é ausente justo em sua função precípua de manter a
ordem. Deveria trocar seu populista discurso de “justiça social” e
partir para o cumprimento da lei, de forma isonômica.
Voltando à questão da maioridade, os
políticos acharam que um jovem de 16 anos estava totalmente maduro para
escolher os governantes do país, mas não para ser responsabilizado por
seus atos ilícitos. Claro, é mais fácil vender sonhos românticos para os
mais jovens, conquistar seus votos por meio da emoção. Acontece que
liberdade não pode existir sem responsabilidade: ou aceitamos que jovens
de 16 anos são capazes de poder de discernimento tanto para votar como
para reconhecer a diferença entre certo e errado, ou os tratamos como
mentecaptos em todos os aspectos.
Boa parte dos detentos menores de idade
praticou roubo a mão armada, ou crimes ainda mais graves, como homicídio
e latrocínio. Não estamos falando de indefesas crianças, pobres
coitados que simplesmente não tiveram opção diferente na vida. Estamos,
muitas vezes, lidando com marginais da pior espécie, assassinos de
sangue frio, jovens que matam sem qualquer motivo. Para piorar ainda
mais, por terem essa imunidade garantida por lei, são usados pelos
traficantes para os piores crimes, pois sabem que não podem ir presos
por muito tempo.
Podemos até lamentar as causas
estruturais que os levaram a tal vida, e tentar adotar medidas que
reduzam a incidência de casos no longo prazo. Podemos também questionar a
qualidade das prisões, que sem dúvida não ajuda. Mas temos de lutar no
presente, temos de impedir novos crimes, temos de restabelecer a ordem. E
temos, por fim, que ser realistas, reconhecendo que essas “crianças”
não mais voltarão a se interessar por lego ou playmobil, mas sim por
crimes cada vez mais severos. Não se ganha uma guerra quando nem sequer
reconhecemos a existência do inimigo.
Nos Estados Unidos, jovens podem pegar
até prisão perpétua, dependendo do crime cometido. No Brasil, assassinos
frios com quase 18 anos são tratados como crianças indefesas, enquanto a
culpa do crime recai sobre a própria sociedade. Isso precisa mudar.
Reduzir a maioridade não é solução definitiva, claro. Mas é um começo
necessário. Como disse o saudoso Roberto Campos:
Com a
nossa capacidade de fazer maluquices em nome de boas intenções, criamos
uma legislação de menores que é um tremendo estímulo à perversão e ao
crime, ao fazê-los inimputáveis até os 18 anos.
Todos aqueles que votaram contra a
redução da maioridade penal ou que focam apenas na barbárie dos
“justiceiros”, deixando de lado o fato de que o jovem marginal merecia
uma severa punição (legal) por seus crimes, jogam contra o Brasil, a
ordem, a paz e a liberdade.
Rodrigo Constantino
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