Dois artigos no GLOBO de hoje, lado a
lado, retratam a desgraça do governo petista quando se trata de empresas
estatais e agências reguladoras.
Um é assinado por Adriano Pires e mostra,
com números, o enorme estrago na Petrobras e na Eletrobras por conta de
equívocos e ações irresponsáveis do governo. O outro é de Rafael Véras
de Freitas e versa sobre um Brasil “desregulado”, pois as agências
reguladoras viraram braços políticos e nada mais.
Começando pelas estatais, Adriano Pires,
que já vem sendo um duro crítico do governo há tempo, principalmente no
que tange a Petrobras, levanta dados que não permitem margem para dúvidas: a destruição é total. Diz ele:
Os números
são assustadores. No caso da Petrobras, temos uma empresa com
endividamento crescente, com problemas de caixa devido ao controle dos
preços da gasolina e do diesel e com a produção estagnada, apesar do
pré-sal. Em 2013 a produção de petróleo da Petrobras foi 2,5% inferior à
de 2012, que já havia sido 2,1% menor em relação a 2011. A dívida da
Petrobras, que era de R$ 94 bilhões em 2009 e foi reduzida para algo em
torno de R$ 56 bilhões em 2010, devido ao processo de capitalização,
chegou a mais de R$ 200 bilhões no fim de 2013.
O que
assusta e chama a atenção é que, apesar de a dívida ter multiplicado por
quatro, a produção de petróleo não cresceu nos últimos três anos, até
caiu. Ao insistir no controle dos preços da gasolina e do diesel, o
governo provocou uma perda de mais de R$ 50 bilhões no caixa da empresa.
O que é quase inacreditável é que esses péssimos resultados tenham
ocorrido num contexto de barril de petróleo a mais de US$ 100, com o
mercado de derivados crescendo a taxas muito superiores ao PIB, com a
empresa agregando grandes reservas de petróleo e gás, devido a
descoberta do pré-sal, e sendo monopolista na venda de derivados no
mercado interno.
O caso da Eletrobras consegue ser ainda
pior. Tudo fruto da interferência política nessas empresas. O governo do
PT encara as estatais como um patrimônio particular, para ser usado e
abusado de olho em seus objetivos eleitorais. O mesmo acontece com as
agências reguladoras. Rafael Freitas, em seu artigo, diz:
As agências
reguladoras não têm mais nada de independentes. Elas foram transformadas
em braços dos respectivos ministérios aos quais se encontram vinculadas
ou em entidades administrativas auxiliares de empresas estatais criadas
pelo governo, com a justificativa de que atenderiam a um “relevante
interesse coletivo”.
A usurpação de seu poder por ministérios
serviu aos interesses políticos do PT, mas não aos consumidores e ao
país. As indicações passaram a ser políticas em vez de técnicas. Os
recursos passaram a ser destinados com base em fins eleitorais. O autor
conclui:
Por trás
dessas manobras institucionais, está o objetivo de que prevaleça a
vontade política em detrimento das decisões técnicas das agências
reguladoras. Trata-se de postura governamental que contribui,
sobremaneira, para o incremento dos “riscos regulatórios” e para a
manutenção dos gargalos de infraestrutura do país.
Apesar de tanto estrago, o PT vai se
mantendo no poder, estendendo seus tentáculos e ampliando o efeito de
destruição das nossas instituições. Como isso é possível? Parte da
resposta está em outro artigo do GLOBO, acima desses dois, assinado pelo
psiquiatra Fernando Flora (sim, o Brasil parece ser um caso
psiquiátrico mesmo).
Trata do carisma de Lula, que capturou,
com a narrativa própria e endossada por muitos “intelectuais”, o mito do
messias salvador no imaginário popular. Diz ele:
Como isto
foi possível? A explicação é que o herói proletário se apropriou da
opção preferencial pelos pobres e passou a interpretar um carisma
semelhante ao profético. Deus não elege um pernambucano de Caetés todo
ano para presidente da República. Não elege um metalúrgico todo ano para
presidente (discurso de Lula, 25/01/05). …Antes era tudo do jeito que o
diabo gostava. Agora é tudo do jeito que Deus gosta (20/03/08).
Favoreceu-se de uma herança cultural arcaica, submersa no inconsciente.
E qual foi a
dádiva principal para assegurar o bem-estar daqueles que se entregaram
com uma fé cega ao herói doravante divinizado? Foi o auxílio do governo
através do programa Bolsa Família. As estatísticas oficiais contabilizam
que aproximadamente 50 milhões de pessoas – ou seja, 25% da população
brasileira – são beneficiadas pelo Bolsa Família.
Com um quarto dos brasileiros agraciados
pelas esmolas estatais “concedidas” por Lula, o messias, como essa gente
toda deve agradecer? Votando em qualquer poste que o messias indicar.
Para o psiquiatra, “Trata-se da principal variável a influir no desfecho
das lutas políticas eleitorais e possui forte componente irracional,
porque alicerçado em crenças afetivas de fundo messiânico”.
E assim completamos, de forma bem
resumida, a história de nossa desgraça recente. Faltou mencionar que as
condições externas favoráveis deram os recursos necessários para essa
“benesse” toda, para essa compra de votos em larga escala, tal como os
petrodólares fizeram por Hugo Chávez na Venezuela.
Mas como nada dura para sempre, como os
recursos são finitos e o modelo irresponsável se esgota, o efeito
messiânico tende a desaparecer com o tempo, e cada vez maior parcela do
povo ficará apenas revoltada, pois o estrago institucional se fará
sentir cada vez mais. Basta observar o destino do chavismo na Venezuela
de hoje, praticamente em guerra civil.
Será que o Brasil conseguirá escapar do mesmo destino trágico? Espero que sim. Apesar do PT, espero que sim…
Rodrigo Constantino
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comentários contendo ofensas pessoais, palavrões, tendo como objetivo perseguições pessoais ou politico partidárias, contra pessoas ou instituições, serão moderados ou excluídos a critério da Equipe.
Agradecemos pela sua participação.
Um grande abraço!!!