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Van superlotada: A população padece no segundo município mais rico do Pará



O transporte público em Parauapebas, a "Capital do Minério", é respeitável. Respeitável pela qualidade ruim do serviço prestado; respeitável pelo naipe da frota (sucateada) em circulação; respeitável pela mentalidade gigante dos vanzeiros, que apelam à baixaria quando o cidadão de bem lhes cobra cumprir obrigações e os adverte de que tem direitos constitucionais; respeitável pela passividade e omissão do poder público, que assiste a tudo do vidro de seus carrões do ano e ainda riem da situação do povo, que, não raro, toma sol, chuva e lama nas paradas; respeitável por ser um sistema respeitavelmente precário.
A saber, transporte público coletivo é um dos serviços considerados de caráter essencial à população. Está na Constituição Federal de 1988. Apesar disso, numa visão geral, o transporte coletivo no Brasil tem inovado pouco em relação a tecnologia, gestão e prestação de serviços aos usuários. Em Parauapebas, então, nem fala. Tudo isso sem dizer que pesquisas apontam o fato de que a opinião predominante dos brasileiros (31,3%), quando perguntados sobre a qualidade do transporte público coletivo em suas cidades, é de que o serviço é "Regular". 


O marco regulatório do transporte público coletivo no Brasil foi modernizado recentemente com a sanção da lei de número 12.587, de 2012, a qual institui diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Um dos pontos da nova lei é a obrigação do poder competente em informar a população acerca do serviço de transporte público coletivo. Assim, passa a ser direito do usuário ser informado nos pontos de embarque e desembarque de passageiros, de forma gratuita e acessível, sobre: itinerários; horários; tarifas dos serviços; e modos de interação com outros modais.
Ainda, pela lei, o usuário do transporte público coletivo tem o direito de ser informado, em linguagem acessível e de fácil compreensão, sobre: seus direitos e responsabilidades; direitos e obrigações dos operadores dos serviços; padrões pré-estabelecidos de qualidade e quantidade dos serviços ofertados; e meios para reclamações e seus respectivos prazos de resposta.
Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizada em 2011, o transporte público coletivo é o meio de transporte mais utilizado pelos brasileiros dentro da cidade (44,3%), seguido pelo carro (23,8%) e por moto (12,6%). Só 12,3% da população vão a pé diariamente de casa ao trabalho, por exemplo.
Em Parauapebas, são apenas 3.660 pessoas que vão de casa ao trabalho andando, segundo Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
DRAMA 
Algumas cidades contam, também, com modais como metrô, trem e, mais recentemente, com vans, como é o caso de Parauapebas, e até outros veículos de pequena capacidade. No entanto, independente dos tipos de veículos utilizados no serviço de transporte coletivo, espera-se que este seja prestado de forma profissional, não admitindo riscos de descontinuidade e com adequada organização de seus processos de trabalho, para oferecer o máximo de produtividade, o mínimo de agressão ao meio ambiente e o melhor atendimento à população, com conforto, fluidez e segurança.
Toda essa esperança, ainda assim, é uma utópica anedota da Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana, quando se analisa a situação do transporte coletivo em Parauapebas, onde o correto, desde o início, seria consultar a população sobre que modelo de transporte público lhe seria mais útil.
Na segunda praça financeira do Estado do Pará, locomover-se virou um pesadelo e uma bagunça de responsabilidade compartilhada entre vanzeiros, prefeitura e Ministério Público. O estopim é o aumento da passagem. E os cidadãos de bem, como sempre, acabam no meio do fogo cruzado, alguns dos quais sendo até enxotado de vans e tendo seus direitos ultrajados, por resistirem aos caprichos impostos por um serviço público de péssima qualidade e que violenta a moral e a honra de seus usuários.
Vanzeiros, inadvertidamente, passaram a semana cobrando R$ 2 de passagem, afoitos por um aumento de 50 centavos sugerido pelo Ministério Público, mas que não se concretizou na prática, visto que o Poder Executivo não o havia validado, com o "preto no branco".
Depois de muito nhém-nhém-nhém, a tarifa aumentou 30 centavos: ficou acertada em R$ 1,80, a ser cobrada a partir de 1º de março – portanto, tudo o que se cobrou do cidadão, além de R$ 1,50, foi indevido. O serviço de transporte, dado o desgaste moral que causou a vários passageiros, aquieta-se, por ora, ainda mais descredibilizado e odiado.
NÚMEROS 
Em Parauapebas, em cuja sede urbana residem 155.610 habitantes, há 49.797 pessoas que trabalham apenas na cidade, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É bom lembrar que há trabalhadores nas áreas de mineração e que, portanto, não fazem uso das vans como transporte público coletivo.
Existem também 45.453 estudantes, em todos os níveis, de todas as redes e com todas as idades. Este grupo mais o anterior estão "vulneráveis" a usar os serviços das precárias vans, que fazem o transporte coletivo.
Além dos trabalhadores e dos estudantes, e dos trabalhadores que eventualmente estudem e vice-versa, há cidadãos que não realizam qualquer das atividades explicitadas, mas que, às vezes, precisam sair de casa para tomar um ar, um sorvete na praça, fazer compras, ir ao banco, enfrentar alguma fila.
Na outra ponta da matemática, há 66.726 habitantes do município de Parauapebas que possuem algum veículo particular para se locomover, sendo que 57.985 moram na área urbana. Subtraída apenas a população urbana "sobre rodas" pelo total de habitantes da sede municipal, vai-se chegar a 97.625 cidadãos "rodados", sem meio de locomoção, e que, teoricamente, precisam se valer como podem da ignorância indubitável da maioria dos motoristas e cobradores de vans.
Atualmente, há 226 vans em circulação para atender a um movimento diário de 390.500 passageiros, ou 21.700 por hora, considerando-se o fato de que as vans permaneçam 18 horas ininterruptas em circulação.
O aumento da passagem para R$ 1,80 prevê, mediante o compromisso firmado entre as partes responsáveis, que até julho de 2013 seja renovada a frota atual no percentual mínimo de 5% – isto é, a cooperativa que gerencia a frota fica à vontade para renovar apenas 11 carros; e o povo que se dane, sendo sacudido nas sucatas.
É preciso que as autoridades competentes tenham sensibilidade e abram os olhos para o fato de que são trabalhadores, estudantes, eleitores que necessitam do transporte público. E a população precisa despertar para cobranças mais incisivas no tocante a seus direitos, já que pagam impostos e precisam vê-los revertidos em mínimas benesses de amplitude coletiva.
Um município que não faz a diferença pelo básico jamais terá condições de evoluir da concepção provinciana e de colônia de exploração – conduzida por insolentes e saqueadores mil – para orgulhar sua gente.

Texto: Pesquisas Acadêmicas 

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