O julgamento da Ação Penal 470, processo conhecido como mensalão,
terá mais uma etapa concluída nesta quarta-feira (25) no Supremo
Tribunal Federal (STF). A Corte abre o vigésimo oitavo dia de julgamento
com o fim do voto do revisor, Ricardo Lewandowski, sobre as acusações
de corrupção passiva de políticos da base aliada ao governo entre 2003 e
2004.
Desde o início do julgamento, Lewandowski vem apresentando
votos mais amenos que o do relator Joaquim Barbosa, e os demais
ministros têm formado maioria com uma média entre os dois pontos de
vista. No Capítulo 6, que trata de corrupção passiva entre os partidos
da base aliada, Barbosa condenou 12 dos 13 réus ligados ao PP, PL (atual
PR), PTB e PMDB. Ele absolveu apenas o ex-assessor do PL Antônio Lamas.
Até
agora, Lewandowski analisou a situação de nove réus ligados ao PP e ao
PL, que respondem por 23 acusações no total, divididas entre corrupção
passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Enquanto Barbosa
concordou com 21 acusações em relação aos dois partidos, Lewandowski
aderiu a apenas 13 imputações feitas pelo Ministério Público Federal
(MPF).
Além de Lamas, o revisor também absolveu o deputado federal
Pedro Henry (PP-MT) e um dos sócios da corrtora Bônus Banval, Breno
Fischberg, de todos os crimes. O ministro também discordou da maioria
das acusações de lavagem de dinheiro, entendendo que a ocultação de
recebimento por meio de terceiros faz parte do próprio ato de corrupção.
Dos nove réus que tiveram conduta analisada pelo ministro até agora,
seis foram absolvidos do crime de branqueamento de capitais.
O
julgamento será retomado à tarde com o voto do revisor sobre os réus
ligados ao PTB e ao PMDB. Ontem (25), em entrevista ao chegar ao STF,
Lewandowski disse que ainda não sabe se entrará no mérito sobre o motivo
que levou os parlamentares a se corromperem. 'É o que veremos no
próximo capítulo. Vou estudar, meus votos estão em constante elaboração.
No momento apropriado, eu vou apresentar'.
Para o MPF, houve
compra de apoio político, mas, nas únicas manifestações sobre o assunto,
Lewandowski disse que os pagamentos eram fruto de acordos sobre dívidas
de campanha.
Depois de Lewandowski, votam, na ordem, os ministros
Rosa Weber, Luiz Fux, Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar
Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e o presidente da Corte,
Carlos Ayres Britto. O julgamento da segunda etapa do Capítulo 6, que
trata dos crimes de corrupção ativa, só deve ser iniciada na próxima
segunda-feira (1º). Nessa parte, figuram os réus ligados a Marcos
Valério e ao PT.
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