Esse foi o primeiro resultado negativo desde o primeiro trimestre de 1999, quando o prejuízo foi de R$ 1,5 bilhão. No primeiro trimestre de 2012, havia registrado lucro de R$ 9,2 bilhões e, no mesmo período do ano passado, de R$ 10,9 bilhões.
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O resultado veio bem pior do que o esperado pelo mercado, que previa lucro de R$ 4 bilhões e já era menos da metade do lucro obtido no primeiro trimestre de 2012. Em 1999, o prejuízo foi causado por um fator externo, a maxidesvalorização do real.
A companhia informou ainda que no primeiro semestre do ano registrou lucro líquido de R$ 7,87 bilhões, ante resultado de R$ 21,93 bilhões no mesmo período de 2011.
"A desvalorização do real afetou de maneira relevante o resultado financeiro, pelo nosso endividamento denominado em dólares, mas também os custos dolarizados da companhia", disse em comunicado. O impacto do câmbio atingiu diretamente o resultado financeiro líquido da empresa, que ficou negativo em R$ 6,407 bilhões, contra ganho de R$ 465 milhões no primeiro trimestre.
| Cecilia Acioli - 22.MAR.12/Folhapress |
| A presidente da Petrobras, Graça Foster, diz que a companhia está trabalhando para recuperar a sua rentabilidade |
A estatal atribuiu o resultado financeiro líquido à depreciação cambial de 10,9% sobre o endividamento. Segundo a estatal, o prejuízo de R$ 1,346 bilhão "reflete o menor resultado financeiro líquido e a redução no lucro operacional".
O lucro operacional foi de R$ 5,282 bilhões, 55% inferior ao registrado no trimestre anterior.
A Petrobras responsabiliza a queda dos preços internacionais ao final do trimestre, que gerou perdas nos estoques das refinarias no exterior, pela queda no lucro operacional. Além disso, lista como problemas despesas extraordinárias com poços secos e menor exportação de petróleo fruto da menor produção devido às paradas programadas com vistas ao aumento da eficiência e segurança operacional.
RECUPERAÇÃO
A presidente da empresa, Graça Foster, disse no comunicado que a companhia está trabalhando para recuperar a sua rentabilidade. Segundo ela, desde que assumiu a presidência, há cinco meses, vem reiterando o comprometimento com a paridade internacional de preços.
"Em linha com a nossa política de reajuste dos derivados no Brasil, anunciamos recentemente dois aumentos: 3,94% para o diesel e 7,83% para a gasolina, a partir de 25 de junho, e um novo aumento de 6% para o diesel, a partir de 16 de julho. Esses reajustes são necessários para a financiabilidade do Plano de Negócios e Gestão, para preservarmos nossos limites de alavancagem e para garantir a lucratividade da companhia."
Um dos maiores impactos para o prejuízo foi o desempenho da área de Abastecimento, responsável pelas importações de derivados (gasolina e diesel, principalmente), que teve prejuízo de R$ 7 bilhões, contra prejuízo de R$ 2,2 bilhões um ano antes.
A área de Exploração e Produção registrou lucro de R$ 10,6 bilhões, estável em relação há um ano porém menor do que os R$ 12,4 bilhões do primeiro trimestre de 2012, refletindo a queda da produção.
O lucro da área de Gás e Energia também despencou, para R$ 86 milhões, contra lucro de R$ 748 milhões há um ano. Segundo a companhia, a redução se deveu ao aumento da participação do GNL (Gás Natural Liquefeito) no mix de vendas e de maiores custos na importação de gás natura e GNL.
O endividamento líquido da empresa aumentou em reais 29% em relação ao final do ano passado, em decorrência de captações de longo prazo, das reduções nas disponibilidades e do impacto da depreciação cambial de 7,8%.
PRODUÇÃO
Em nota, a estatal informou ainda que produção de petróleo no Brasil diminuiu 1% no semestre e 5% em relação ao primeiro trimestre de 2012, "devido à realização de paradas para manutenção como parte do programa de aumento da eficiência operacional na Bacia de Campos".
"No 2º semestre está prevista a entrada em produção de dois novos sistemas: Baleia Azul (100 mil barris/dia) e Baúna & Piracaba (80 mil barris/dia)", informou.
| Plataforma de petróleo P-51, na bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Empresa teve prejuízo de R$ 1,3 bilhão |
| Fonte: folha S.Paulo |