Em Parauapebas, dengue é caso de educação. A doença viralencontra em águas paradas de quintais o ambiente perfeito para a proliferação dos mosquitos Aëdes aegypti e Aëdesalbopictus, principais agentes causadores do vírus que, segundo a Secretaria de Saúde do Estado, já vitimou mais de trezentas pessoas no município.
A Secretaria Municipal de Educação de Parauapebas (Semed) está agindo para tentar acabar com o problema. O projeto Dengue - A Melhor Arma é a Prevençãoestará em todas as escolas da rede pública do município. É por meio dele que a Semed vai buscar combater a doença que encontra na falta de cuidado - na maioria das vezes - de suas próprias vítimas, que acabam deixando água parada nos seus quintais, onde os mosquitos fazem a desova.
A Escola Terezinha de Jesus, no bairro Cidade Jardim, é pioneira e levou o projeto Dengue - A Melhor Arma é a Prevenção às ruas nos dias 25, sábado, e 27, segunda-feira. Dezenas de alunos e professores visitaram casas em busca de conscientizar os moradores sobre a importância de não dar chance aos vírus destruindo os focos da dengue nos quintais, as águas paradas em pneus e vasilhames velhos.
Pedestres e condutores também formaram o público alvo da campanha. Nas ruas alunos e professores entregaram panfletos com informações de como evitar a dengue e, também, de comoproceder, caso já esteja doente.
A aluna Lindinalva Conceição, de 11 anos, conta que em sua casa já houve registro de caso dengue. "O meu irmão já foi vítima de dengue por causa do descuido de todos", conta. "Ele hoje está bem, mas nós devemos combater essa doença com prevenção, não devemos deixar água parada em nossos quintais, em garrafas e pneus", diz.
A coordenadora pedagógica, Aurea Cristiane Lacerda, conta como o projeto Dengue - A Melhor Arma é a Prevenção foi recebido pela escola e como ele virou matéria interdisciplinar. "Nossos professores receberam a ideia como muito otimismo e todas as disciplinas tiveram papel fundamental para desenvolvê-la. Por exemplo, com História nossos alunos conheceram a história da dengue; com a Geografia estudaram os climas mais propícios ao desenvolvimento dos mosquitos; com a Ciência aprenderam como combatê-la".
"A nossos alunos coube o papel mais importante, o de levar as informações para as suas casas. Além do que, foram eles mesmos quem confeccionaram os cartazes, panfletos e maquete", explica Aurea.
A ideia do projeto nasceu da Semed, nos seus encontros de Formação Continuada dos professores de Ciências. O Secretário de Educação, Raimundo Oliveira Neto, pretende torná-lo parte do calendário pedagógico de todas as escolas do município.
"A campanha de combate à dengue é, também, uma campanha de exercício da cidadania em que nossos alunos são peças chaves, visto que passam a ser protagonistas de um movimento de conscientização que visa a buscar a melhoria de vida de toda a sociedade", diz Neto.
A professora de Ciências, Ademia Rose Pinheiro, frisou que o projeto é "importante para toda a sociedade e que não deve ser algo factual, deve continuar".